A evolução histórica dos processos de gestão: uma transformação dialética do científico racional par

A evolução histórica dos processos de gestão: uma transformação dialética do científico racional para a sociocrítica e sua abordagem conceitual.

 

Cristiano Bittencourt dos Santos

 

            Compreender o estudo dos processos de gestão, inseridos em uma perspectiva histórica- crítica requer, ou faz-se necessário analisar profundamente as concepções de homem, mundo e sociedade que cada período histórico apresenta e , influência diretamente as maneiras e mecanismos funcionais referentes à organização escolar, no que diz respeito a gestão.

            Com o enfoque voltado para uma abordagem contextual, compreender a cultura organizacional como um sistema sócio cultural, expondo a organização com um sentido mais amplo, buscando por meio da administração escolar criar as condições para o funcionamento de uma estrutura que parte do macro para o micro é o ponto de partida para o entendimento dos processos de gestão e sua evolução no cenário educacional, pré-requisito para a formação dos profissionais da educação.

            As inúmeras mudanças, reformulações, melhoramentos ou não, na evolução conceitual dos processos de gerir a educação, aparecem sempre acompanhadas às concepções educacionais que o contexto adota e os mecanismos legais que as respalde legalmente, tais concepções e legislações apresentadas no decorrer do texto.

            Seria impossível conceituar gestão como um termo isolado em educação, pois este assume um significado peculiar, dependendo da concepção que o acompanha, portanto, faz-se necessário acompanhar as transformações que inicialmente, para facilitar o estudo foi dividida em gestão com o enfoque científico- Racional e como contraponto, uma perspectiva sócio-crítica e suas divergências, ambigüidades no funcionamento do todo orgânico que é a escola.

            A concepção científico-racional, com ênfase centrada nas tarefas, eficiência, apresenta uma centralização do poder, verticalizada e hierarquizada, pois, busca o controle e a racionalização dos setores escolares, respaldada pela Lei de Diretrizes e Bases – LDB 5692/1971 e instaura-se no cenário brasileiro após o golpe militar de 1964. É preciso compreender que já na era Vargas, no estado novo, ou republica populista de Vargas, as concepções educacionais já apresentaram uma inclinação para concepções tecnicistas, neutras, mecanicistas e acima de tudo positivistas.

            Mas é em 1971, em pleno estado ditatorial que a LDB 5692/1971 é outorgada e determina o modelo cientifico - racional como o condizente com os anseios dos detentores do poder.

            Vale ressaltar que essa perspectiva neutraliza qualquer possibilidade de intervenções coletivas centraliza o poder nas mãos da figura do diretor, cria segmentos, cargos e funções isoladas, desarticulados entre o campo pedagógico estava voltado para a transmissão do conhecimento, a gestão volta-se para a centralização do poder e o isolamento dos segmentos da escola.

            Tais medidas, como o isolamento e a burocratização dos segmentos contribuíram para casos críticos de sucateamento e negligências dos mecanismos que deveriam convergir para um fim determinado, o pleno funcionamento das partes do todo que é a escola, mas contrária a essa afirmação o modelo só serviu para os interesses dos governos e governantes e a escola instaura-se como um mecanismo de controle de estado, cumprindo seu maléfico papel de acalmar, controlar e essencialmente alienar a grande massa.

            O modelo instaura-se não só no cenário nacional, no período, mas em quase toda a América Latina, talvez por sua herança colonial, mas também como reflexos de uma época em que o capitalismo industrial norte americana instaura-se como contraponto ao comunismo soviético, originando o cenário que conheceríamos por guerra-fria.

            Saturado o regime militar, iniciam-se os processos de redemocratização Nacional na década de 1980, período de efervescentes discussões a cerca das concepções sócio-críticas e no ano de 1988 o Brasil apresenta e adota pela primeira vez a gestão democrática no ensino público, presente em sua constituição outorgada em 1988, bem como o respaldo da Lei de Diretrizes e ases 9394/1996, apresentando a gestão democrática, como um processo a ser construído em conjunto na busca de articular os segmentos da escola na direção de um fim determinado, a autonomia e o pleno exercício de todos os segmentos convergindo para a harmonia e o diálogo entre escola e comunidade, exercendo a democracia nos processos de gestão, sob a ótica sócio-crítica.

            Conceitualmente as concepções sociocríticas apresentam uma evolução dialética que parte da concepção auto – gestionária com sua ideologia anárquica extremista que prega a autonomia máxima, a ausência de direção e hierarquias bem como a luta contra  qualquer  forma de opressão. Inúmeras características extremistas fazem com que a concepção não ultrapasse a condição de projeto.

            Evolui-se para uma concepção Interpretativa centrada na interação e subjetividade da escola e a mais completa, a síntese deste processo dialético surge a concepção democrático-participativa, uma proposta mais coerente com o termo sócio-crítico, com sua ênfase nas relações e nas tarefas, priorizando a coletividade, mas sem desconsideras as responsabilidades individuais, apresentando as equipes de trabalho, segmentos, comunidade, alunos, professores, funcionários e direção convergindo por meio do pluralismo e do diálogo, na busca de um fim comum, melhore administrar a escola.

            Historicamente essa evolução carrega consigo algumas transformações, passagens que justificam tal evolução: passagem da ótica fragmentada para a organização pela visão de conjunto, ou seja, da visão fragmentada da realidade escolar para as várias dimensões de uma mesma realidade, da separação das partes, para a articulação, da centralização e autoritarismo, para a democracia e descentralização, da ação episódica e falta de pensamento estratégico, para um processo dinâmico, contínuo e global. Tais transformações expõe de forma clara e objetiva a passagem da gestão individualizada para a coletivizada, democrática e condizente à uma educação de caráter social e não mais um maquiavélico mecanismo de controle.

            Para compreender a escola que ainda temos, faz-se necessário o conhecimento das informações citadas e o aprofundamento da discussão nos cursos de formação dos profissionais em educação, para que direitos garantidos em nossa constituição de 1988 e LDB 9394/1996 sejam exercidos para assim projetarmos e criarmos condições para a escola que queremos democrática, participativa, cooperativa e preocupada em criar condições para o pleno desenvolvimento da Instituição Escola, sua responsabilidade em uma sociedade e sua importância no desenvolvimento humano de uma nação.

            Conclui-se que os processos de gestão, bem como as concepções pedagógicas, estão subordinadas aos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais que historicamente os acompanha.

 

 

 

 

segunda 18 maio 2009 20:15



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